Tecnostress: já faz parte da sua vida?

Diana Cardoso e Francisca Duque (Universidade Lusófona)

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Quando o uso excessivo dos telemóveis conduz os indivíduos a um estado psicológico negativo, podemos estar perante um caso de tecnostress. Uma doença que nasce num ecrã, mas que tem sintomas reais.

Segunda-feira. Sete e meia da manhã. O comboio com destino a Roma-Areeiro vai cheio. As pessoas, quase todas de auscultadores, fixam-se nos ecrãs dos telemóveis e dos smartphones. Algumas de tablet na mão, outras no computador. No banco, encostada à janela, uma adolescente joga o famoso Candy Crush. Ao lado, um rapaz completamente vidrado no telemóvel “inspeciona” o perfil de uma rapariga no Instagram.

Este padrão repete-se para qualquer lado que se olhe, independentemente do transporte e da hora, sendo que apenas uma ou outra pessoa escapa a esta imersão tecnológica.

São comportamentos como estes que estão na base do tecnostress, o stress causado pelo uso excessivo da tecnologia. De acordo com o psicólogo e investigador, Pedro Joel Rosa, o tecnostress é “uma doença que está associada à inadaptação do indivíduo em lidar com a tecnologia” conduzindo o utilizador para um “estado psicológico negativo”. Em causa está a exclusão em absoluto do mundo que nos rodeia e a completa submersão em conversas telefónicas, bem como no mundo da música e das redes sociais.

O tecnostress exibe sintomas que provêm da abstinência ou da dependência do uso dos equipamentos digitais. No caso da dependência, encontramos problemas tanto físicos como mentais, diz o estudo “O uso diário e a dependência da Internet: a nomofobia – megadesafio para professores”. Problemas na coluna, torcicolos, tendinites, insónias, stress, angústia, vazio existencial, irritabilidade, desespero, náuseas, tensão muscular, pânico, isolamento ou a perda de memória poderão ser sinais desta doença.