Partidas e Chegadas

Inês Amaral, João Miranda e Sílvio Santos, professores da Universidade de Coimbra e editores do programa "Partidas e Chegadas"

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Daquela viagem irrepetível ao percurso diário para o trabalho, do trajeto que dura uma vida aos 10 segundos de uma corrida de 100 metros, todas as jornadas se fazem de partidas e chegadas. Este episódio do REC é uma coleção de histórias dos que partiram, e dos que partem e chegam todos os dias, mas também dos que nunca chegaram verdadeiramente a dar por terminada a caminhada.

Para Fábio, é quase uma rotina. São cerca de duas horas, desde que acorda até apanhar o avião, para mais umas quantas horas – que são dias – de aeroportos, terminais e hotéis. Carlos e Aurora contam ao milésimo de segundo as centenas ou milhares de metros que separam o sinal de largada da linha branca da meta. Nuno (“Carapau”) e Manuel anseiam a cada ano – ou 100 anos, tudo depende da perspetiva – por mais um regresso à casa que, em boa verdade, nunca deixou de ser sua. É uma espécie de trivialidade, para os que diariamente esperam pelo autocarro, comboio ou cacilheiro: o tempo é um elemento estruturante de qualquer jornada.

É de partidas e de chegadas que se faz este episódio do REC, mas também dos espaços e do tempo que medeiam e circunscrevem as coordenadas do princípio e do desfecho de cada viagem. Das filas e das salas de espera, onde, todos os dias, milhares aguardam, e desesperam, pelo transporte que teima em não chegar. Dos que, como os comissários de bordo, fazem vida do hiato entre esses dois pontos, coreografando demonstrações de segurança e procurando atender aos mais diversos pedidos. Dos atletas, para os quais cada tiro de partida traduz apenas uma etapa de uma outra jornada mais perene. Dos antigos repúblicos da Rua da Matemáticas, em Coimbra, que encontram em cada centenário o apelo ao regresso a um lugar de onde nunca partiram. Ou mesmo dos casos bem-sucedidos de transplantes de órgãos, para quem esta nova oportunidade representa algo mais do que uma partida ou chegada, é uma combinação de ambos, uma possibilidade de recomeço.

É das suas vidas, das suas histórias e dos seus testemunhos que se constitui este novo episódio do REC. E também dos que lhe dão voz. Dos jovens repórteres que deixaram a sala de aula e as redações das universidades, e foram para as estações e terminais, para o tartan das pistas de atletismo ou para as repúblicas. Dos estudantes de jornalismo e comunicação, para quem este episódio simboliza um primeiro passo, uma partida para uma nova jornada.

Neste programa participam a Universidade Católica Portuguesa, a Universidade de Coimbra, a Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, a Universidade Nova de Lisboa e a Universidade do Porto. Os repórteres em construção são Ana Rua, Catarina Carvalho, Francisca Duque, Izabela Lerner, Inês Cardoso, Margarida Maneta, Maria Francisca Romão, Maria Golias, Maria Luís Albuquerque, Maria Santos, Melanie Pereira, Miguel Montes e Rita Teles. A orientação esteve a cargo dos professores Ana Isabel Reis (UP), Camila Areas (UCP), Carla Cardoso Rodrigues (ULHT), Inês Amaral (UC), João Miranda (UC), Pedro Coelho (UNL) e Sílvio Santos (UC). Apoio à produção de Teresa Abecassis, locução de Sílvio Santos. Edição coordenada e produzida por Inês Amaral, João Miranda e Sílvio Santos da Universidade de Coimbra.