Sem vizinhos e sem clientes

Joana Felícia e Cristiana Bernardino (Instituto Politécnico de Tomar)

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Uma rua vazia e casas sem ninguém. Este é o cenário que se vê na aldeia das Fontes, concelho de Abrantes. A emigração contribuiu para o abandono.

Benvinda Jesus, de 81 anos, é única habitante da rua principal. Nem sempre lá viveu, mas para lá voltou quando se reformou. Agora lamenta a falta de vida: “Não está aqui ninguém!”

A solidão acompanha diariamente esta mulher, porque os vizinhos, que a entretinham, já morreram. Agora, as galinhas e as suas plantações são o que a distrai. Os barulhos da natureza também a fazem, de vez em quando, vir espreitar à porta. Mas quem lhe faz mais companhia é Fredy, o cão todo espevitado. Por vezes, arranca-lhe um raspanete. Mais abaixo, está o “Carriços-bar”, a única mercearia da aldeia. Miguel Pedro, o dono, lamenta a evolução negativa das Fontes. Espera a clientela que não aparece e garante que faz falta movimento. Afinal, é com pessoas que as aldeias se mantêm ‘vivas’. Miguel sugere que se deveria fazer alguma coisa que atraísse os jovens à aldeia. Como uma fábrica.

Na vila de Sardoal há mais vida do que nas Fontes. É lá que vão os habitantes desta aldeia quando precisam de alguma coisa. A loja do cidadão, os restaurantes, as pastelarias e os supermercados, os médicos… São sítios por onde se vê muita gente.

Vida a sério existe na Escola Básica de 2º e 3º ciclos. Maria Judite Serrão Andrade acolhe a maior parte das crianças das aldeias vizinhas. Por causa da distância, madrugam para chegarem à escola a horas, de autocarro.

O negócio do mini-mercado da vila já viveu melhores dias. Lucinda Marques, empregada do estabelecimento há 25 anos, diz que o problema está na carteira: “Antigamente havia mais dinheiro.” Ainda assim, a caixa registadora lá se vai abrindo. E certamente que em boa parte das vezes será para atender pessoas das aldeias vizinhas, como as Fontes, onde pouco ou nenhum comércio resistiu.