Fugi para amar

Gabriela Mendonça e Maurício Rebouças (UNL)

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“O meu filho vai crescer. E se ele for gay, eu vou matar-te!” Esta foi uma das ameaças que a escritora russa Margarita Sharapova recebeu por e-mail. Tudo por causa de livros que publicou no seu país de origem e que foram proibidos com a entrada em vigor da chamada “Lei da Propaganda Gay”, em 2013.

Desde então, o governo russo combate tudo o que considera promoção da homossexualidade para menores de 18 anos. Margarita sofreu perseguições da população e de oficiais do governo, viu a porta de casa ser incendiada e perdeu a companheira, que foi assassinada. A escritora pediu asilo em Portugal por ser gay e escrever sobre questões de orientação sexual e identidade de gênero.

Margarita é um dos refugiados LGBTI apoiados pela ILGA Portugal (Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual, Trans e Intersexo). Desde 2012, a organização já acompanhou cerca de 60 pessoas que pediram proteção por este motivo em Portugal.

O SEF confirma a existência de outros casos de refugiados com este perfil no país, mas destaca que é impossível determinar quantos são, já que, por questões de segurança, muitas vezes o motivo do pedido de asilo pode estar camuflado.